Início » Uncategorized » da série: “A RETÓRICA SEM-VERGONHA DE ‘JORNALISTAS’ QUE APOIAM O GOLPE E A CASSAÇÃO DE 54,4 MILHÕES DE VOTOS DIRETOS” — CARTA ABERTA À JORNALISTA MAGALI SCHMITT

da série: “A RETÓRICA SEM-VERGONHA DE ‘JORNALISTAS’ QUE APOIAM O GOLPE E A CASSAÇÃO DE 54,4 MILHÕES DE VOTOS DIRETOS” — CARTA ABERTA À JORNALISTA MAGALI SCHMITT

post golpista da Magali
A jornalista leopoldense Magali Schmitt, da Publier Comunicação, foi minha colega há 20 anos, no jornal NH. A tinha até recentemente como uma amiga. Digo “a tinha” porque não nutro amizades nem simpatias por golpistas como Magali. Na tarde deste 10 de maio, véspera da efetivação do golpe jurídico-midiático no Senado, Magali está entusiasmada. Soltou o verbo, em seu perfil de Facebook, com a pior retórica de criminalização dos movimentos sociais e sindicais que saíram às ruas de todo o país, hoje, na luta contra a ruptura da ordem democrática.

Magali reproduz a cantinela (pra usar um termo dela) da mídia bandida, cartelizada e oligopolista. Vai além: fecha o texto num tom ameaçador e udenista, usando o discurso vazio do combate à corrupção (usado por todos os movimentos fascistas do século XX, por exemplo) como se isso intimidasse algum militante social, partidário ou sindical. Está, é claro, confortável na sua “bolha ideológica” proporcionada pelo Facebook e demais redes sociais – onde todos dizem amém ou, no máximo, formulam críticas que nem fazem cócegas. Esqueceu de mim, o ex-colega petralha, independente, crítico, chato, vermelho (ainda que gemista), enfim, livre! Não importa o epíteto preconceituoso que empregue, eu não me rendo e nem me calo.

O post de Magali, à luz da História, vai envergonhá-la – sabemos como golpes começam, mas nunca sabemos como terminam. Para usar outra máxima, muita adequada ao momento: “Povo que não conhece sua História está condenado a repeti-la”. Magali não se importa com a ruptura democrática – a comemora. Magali não enxerga justiça e razão nos trabalhadores que se insurgem contra o golpe jurídico-midiático e em defesa da democracia a duras penas conquistada. Ela, sim, nos trata como “loucos mentirosos” e baderneiros. O que é preciso “começar de alguma forma”, Magali? A higienização ideológica, racial e comportamental do Brasil, tal qual os nazis de meados do século XX fizeram com comunistas, judeus, negros, ciganos, deficientes e homossexuais? O que está apenas “no começo”, Magali? O fim da corrupção com o poder nas mãos de um investigado e ficha suja chamado Michel Temer (aquele traidor!), com um novo ministério neoliberal repleto de réus, citados, investigados e delatados? O discurso messiânico de “varrer a corrupção” não é só antigo (o udenista Janio Quadros o usou contra JK), mas também cheira à pólvora e a sangue. Quantos tiveram seus mandatos cassados injustamente; quantos foram perseguidos pelo que se seguiu à caça às bruxas de 64-85; quantos foram mortos nos porões do honesto regime militar em nome da “moralização da política”?

Eu vou poder olhar nos olhos de meus filhos e netos e dizer que estive do lado certo da História em 2016. Fui pra rua, militei, lutei pela legalidade e pela democracia e, mesmo com toneladas de críticas ao governo que ora agoniza, respeitei os mais de 54,4 milhões de votos DIRETOS que elegeram Dilma Rousseff – uma rara exceção de política honesta, não investigada, não citada e não delatada entre centenas de integrantes do Sindicato de Ladrões que se tornou o Congresso Nacional – todos, como ratos, tentando escapar das investigações (seletivas) em curso. O outro lado da disputa saiu às ruas de verde e amarelo ao lado de fascistas, de defensores da tortura e da ditadura, de intolerantes e fundamentalistas religiosos, de hipócritas corruptos – todos manobrados pela narrativa unilateral da Globo, que é a cabeça do cartel midiático.

A História, Magali Schmitt, vai te cobrar esse momento. Eu te cobro desde já. Não me considere mais alguém para se trocar ideias de maneira afável. Pode atravessar a rua se me encontrar. Se, nós da Resistência Democrática, sobrevivermos à luta contra o golpe de Estado travestido de impeachment – que pessoas como você apoiam – passaremos o resto de nossos dias denunciando os golpistas, os cúmplices do fascismo, a classe média midiota e globotomizada que vocês representam. A vergonha será a companheira dos colaboracionistas como você.

Para nós, que sempre estivemos na luta de classes, na defesa das conquistas sociais e da elevação do Brasil de uma república de famintos para uma potência emergente na geopolítica mundial, a luta faz parte do dia a dia, do nosso próprio DNA. Não somos oportunistas. Mas também não somos analfabetos políticos. Te vejo no outro lado da trincheira midiática. [HENRI FIGUEIREDO, jornalista]

O POST DA MAGALI NA TARDE DE 10 DE MAIO

Quando o melhor argumento que se tem é ir para as ruas quebrar, botar fogo, bater na imprensa, atrapalhar a rotina de quem está trabalhando e a própria rotina do Brasil, algo está errado. Causa estranhamento que essas sejam as mesmas pessoas que falam em nome da democracia e da constituição repetidamente, que batem na tecla do ódio e do fascismo com tanta veemência — mas demonstram exatamente isso com seus atos. Incitam a violência e não aceitam quem pensa diferente, apesar de repetir o mantra da democracia incansavelmente. Então, precisam mostrar, goela abaixo, a sua verdade absoluta. E causa estranhamento que tantas pessoas consigam ir às ruas em uma terça-feira, dia útil, em todo o país. O Brasil sangra e precisa de uma depuração urgente, em todos os setores e partidos. O que não dá mais é para se esconder atrás da cantilena de golpe. Diante dos fatos, quebra-quebra e baderna não são argumentos. Ou há um bando de loucos mentirosos empenhados em degradar a Pátria, ou há um bando de ingênuos que não querem ver o que todos estamos com vergonha de enxergar. Precisava começar de alguma forma. É apenas o começo, porque está na hora de andar para a frente. A marolinha cresceu e pode se transformar num tsunami. E, quando a onda voltar, varrerá de vez toda essa corrupção que se enraizou país afora. Só depende de nós

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