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Luiz Carlos Maciel e Bernie Sanders: almas gêmeas

Maciel

Quando cheguei ao Rio de Janeiro pela primeira vez, saído da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, me deslumbrei. Porque era só arrebatamento amoroso por uma mulher e, talvez principalmente, porque o Rio foi um caso de amor ao primeiro raio de sol. O amor da mulher foi infinito enquanto durou mas o enlevo pela cidade desafia até hoje a inexorabilidade do verso de Vinicius. Li certa vez uma suposta resposta do Mario Quintana, mais provinciano do que eu (e talvez por isso, como escreveu Tolstoi, universal), definindo o que mais gostava do Rio: “Os túneis. Neles, eu descanso da paisagem”.

Nessa cidade solar, fui perdendo, aos poucos, o cheiro de churrasco – sem me desprender da identidade mas aprendendo, aos poucos, refiná-la. Mesmo o mais simplório dos cariocas guarda nos modos alguma mesura da Corte. Ao contrário da gente fronteiriça acostumada a rangir ao menor sinal de contrariedade. Somos forjados na desconfiança e temos o espírito do sentinela. O Rio me amaciou o coração ao passo que minhas raízes se aprofundavam na distância – talvez para que eu me mantivesse firme nos propósitos. Virei um cariúcho, com um orgulho sereno. (Se é sereno, ainda é orgulho?)

Em 1994, no início dos meus 20 anos, conheci Luiz Carlos Maciel numa loja de discos raros numa galeria do Leblon, onde trabalha entre vinis que serviram pra mim como um intensivo da história da melhor música contemporânea. Vivia, alguns anos antes, história parecida com a narrada no filme “High Fidelity” (2000) de Stephen Frears.

Naquela loja do Leblon, que pertencia a um compositor baiano que também era produtor musical, conheci pessoalmente Luiz Carlos Maciel: até hoje aclamado e reconhecido pelo cognome “guru da contracultura”. A fama o precedia e o precede. Maciel, à época, tinha algum posto importante na Rede Globo, onde dirigia e orientava os roteiristas, me parece.

Com frequência passava na loja e “se quedava” horas entre os discos de jazz e papos fantásticos com o meu gerente sobre arte, e as suas formas de expressão. Eu apenas ouvia, e apre(e)ndia, hipnotizado.

Estive, no Rio, 10 anos de minha vida – 93 a 95 e 2007 a 2014. Uma coisa que a temporada carioca atenuou, mas minhas raízes gaúchas não deixaram de nutrir, foi a reverência escancarada às referências intelectuais e artísticas.

Por isso, faço esse registro. Preciso compartilhar a beleza que é poder, por uma rede social, me comunicar (me conectar) eventualmente com um sujeito que saiu jovem do RS; foi do círculo de Gláuber Rocha, João Ubaldo Ribeiro e Caetano Veloso na Bahia; trabalhou nos principais jornais brasileiros nos anos 60; fundou o Pasquim e dirigiu a redação da Rolling Stone nos anos 70 –  e sofreu a perseguição do regime e resistiu!

Gostaria de estar no Rio nestes dias para participar do curso de roteiro que Maciel está promovendo na cidade. Porque o passado não se extingue e o presente está dado!

Valeu, Maciel pelo (até aqui) único comentário no post de Facebook cujo print reproduzo neste texto. Isso é pra quem sabe! E perdoe-me a tietagem explícita e pública. Sacumé, não sei com você, mas eu posso sair da aldeia, mas a província… ah, a província é global.

 

 

 

 

 

 

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