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MOZART NA SELVA

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A gigante do comércio eletrônico Amazon, seguindo os passos da Netflix na produção e transmissão de séries em streaming, lançou todos os 10 episódios da 2ª temporada de Mozart in the jungle no dia 30 de dezembro de 2015. Em 10 de janeiro, a produção ganhou o Globo de Ouro de “Melhor série de comédia ou musical” e o protagonista Gael García Bernal foi o vencedor como melhor ator. Assisti à 1ª temporada – que é de dezembro de 2014 – numa maratona leve e divertidíssima: cada episódio não passa de 30 minutos e, em que pese o revezamento de diretores, o roteiro de Roman Coppola é construído quase como num filme de 5 horas de duração. O universo da música clássica em Nova York é retratado tendo como base a autobiografia da oboísta Blair Tindall (hoje com 55 anos) Mozart in the Jungle: Sex, Drugs, and Classical Music. A mídia especializada informa que a série virou a sensação no meio musical norte-americano, em especial no erudito.

Bernal interpreta o jovem maestro mexicano Rodrigo de Souza, que desde os 12 anos construiu uma carreira internacional como regente-prodígio – tendo passado por várias orquestras em capitais como Buenos Aires e Oslo, por exemplo. Chegando na Big Apple para ocupar o lugar de um veterano (e ególatra) regente na fictícia New York Symphony, o sedutor Rodrigo vai aos poucos vencendo as resistências iniciais com um tremendo carisma e, principalmente, com uma enorme entrega à missão de “viver a música, viver a arte”.

Tirando alguma caracterização inverossímil para qualquer sul-americano, como o personagem andar muitas vezes com a cuia de mate e a garrafa térmica embaixo do braço – o que até poderia ser justificado pelo fato de o maestro Rodrigo ter vivido em BsAs – todas as vezes em que ele pede para a assistente americana lhe preparar o chimarrão (!) soa mais do que forçado. [Nada parecido, porém, como o choque cultural que foi para os colombianos de Antioquia ver Pablo Escobar ser interpretado por um brasileiro de Salvador, na série Narcos – da concorrente Netflix.]

O personagem Rodrigo é baseado no regente venezuelano Gustavo Dudamel, hoje com 35 anos. Não bastasse a geleia geral que os norte-americanos fazem da cultura latino-americana, como se fôssemos homogêneos, aos 20 minutos do 2º episódio da 1ª temporada há uma cena emblemática: Rodrigo (jovem maestro mexicano, repetindo, que viveu na Argentina e na Europa) passeia despreocupado por ruas e parques de Manhattan e a trilha é “Pra não parar de sambar”, do paulista Aleh Ferreira, músico de MPB que, pelo jeito, está com moral em Nova York. A sequência, no entanto, funciona. Acreditem.

Além do humor elegante, a série brinca com os esteriótipos dos músicos eruditos, despe-os das vestes formais e os mostra mundanos como todos nós. A aura aristocrática do universo clássico ganha fortes cores eróticas e psicotrópicas e a trama cria identidade com a massa consumidora da cultura pop. Uma boa série, para se divertir enquanto ouvimos falar de Mozart, Bach, Chopin, Debussy, Stravinsky, Mahler e Sibelius. Não fosse por nenhum dos outros motivos, ao menos por esse último ela já valeria a pena.

*Henri Figueiredo

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