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DO SER AO PÓ, É SÓ CARBONO. SOLENE, TERRENO, IMENSO. PERENE, PEQUENO, HUMANO

Lenine-carbono

Em 1993, eu tinha 20 anos e chegava pela primeira vez Rio de Janeiro, amando a mulher e a cidade, a cidade e a mulher que foi o combustível para aquela viagem. Naquele ano, aconteceu de eu conhecer muita gente boa da música, do teatro, de televisão. Aqui eu vou falar de uns poucos e essenciais. Aconteceu também de eu fazer a assistência de produção do lançamento de um disco chamado “Olho de Peixe”, de um cantor e compositor pernambucano que já vivia há anos no Rio: Lenine. O disco era um parceria com um cara que estava celebrado como o reinventor do pandeiro na música brasileira: Marco Suzano. Eu já conhecia o Suzano das apresentações do grupo Religare. Conhecer Lenine foi uma das grandes descobertas artísticas da minha vida. Não sou crítico musical, nem literário, nem me especializei nestes anos de jornalismo na área artística. Então vou ser breve, simples. A arte pra mim sempre foi pra fruir. “Olho de Peixe” me abriu caminhos tanto quanto “Velhos Tempos”, do beat Gary Snyder; ou como “Contato”, do Sagan; como Transa, do Caetano (que é, inclusive, do ano em que nasci…). Pano rápido.

Em 1993 também abracei o bloco Simpatia É Quase Amor que, apesar de sair em Ipanema, ensaiava no Jardim Botânico (ou seria Horto?) no mesmo pavilhão que o bloco Suvaco do Cristo. Num ensaio do Suvaco, conheci um adolescente chamado João – um querido! Amável, inteligente que só e, claro, sensível pacas. Filho de Lenine. Pano rápido (again).

Março de 2009, eu de pé numa lateral do Circo Voador, na Lapa, assistia à apresentação de “Labiata” quando se aproximou, buscando um melhor ângulo do palco, o João Cavalcanti, do Casuarina. Nem sei como começamos a trocar ideia sobre os números musicais . Até que eu admiti que a música que mais me pegava no Labiata era “É fogo”… ainda que gostasse muito de “Martelo Bigorna” e “O Céu É Muito” e de quase todo o disco. Naquela conversa descobri que João tinha se graduado em jornalismo… que coisa! Fade in.

Fade out. 2015. Porto Alegre. Vou ver Lenine e o seu “Carbono” no dia 3 de julho, no Opinião. Toda a narrativa anterior foi só pra dizer que a música que mais “me pegou” neste disco é a primeira parceria gravada de Lenine e de seu filho João: “A Causa e o Pó”.

A dureza real de quem é pedra

Que a volúpia do atrito lapida

Esse brilho tenaz que quase cega

É ventura do ventre da ferida

Quem dirá, migalha de sol

Que o brilho é teu apogeu,

Se ofuscado no caldo das estrelas

O brilho se perdeu?

Sou de estrelas a causa e o pó

Sou de estrelas e só

Do ser ao pó, é só

Carbono

Solene, terreno, imenso

Perene, pequeno, humano

Natureza tão solida de tinta

Que o frágil atrito transporta

Esse risco voraz te faz faminta

E a rasura te move em linha torta

O contraste será troféu

Que teu risco alinhavou

Ou vestida mortalha das estrelas

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