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Bial, em 1996 e no Reino Unido, sobre a regulação da mídia: “This is democracy…”

livro bial

Tomei uma decisão já tem meia dúzia de anos mas só agora, em 2015, estou conseguindo cumprir de boa: não publicar nenhum comentário e não entrar em nenhuma polêmica sobre o BBB. Portanto, não é sobre o reality show que quero falar ao mencionar Bial. É que a piada dos inteligentes Marcius Melhem e Marcelo Adnet com ele, na última quinta-feira na estreia do Tá no Ar (a melhor produção de humor da TV brasileira desde o TV Pirata, na minha opinião), pareceu o momento mais fraco da nova temporada. Explico: virou chavão rirem do Pedro Bial devido aos discursos que faz para o BBB, em especial para os dias de eliminação de participantes – o senso comum o considera “incompreensível”. Tenho pena do senso comum. Nos anos em que eu acompanhei o BBB, os discursos do Bial foram bons momentos do programa – vez ou outra rivalizando com as charges (ou crônicas) eletrônicas do Maurício Ricardo, outro talento que a Globo fagocitou, como fez com o Adnet mais recentemente.

Bial é um poeta. Ou um perseguidor da poesia, como ele se autodefine no livro “Crônicas de Repórter” [Ed. Objetiva, 1996]. Comprei este livro à época do lançamento porque já considerava Pedro Bial o melhor texto da TV brasileira. A questão não era concordar ou discordar do funcionário da Globo mas conhecer histórias de um “colega” que tinha estado oito anos como correspondente internacional da quarta maior rede de televisão do mundo.

Hoje, tirei este volume da prateleira ainda incomodado com a pasteurização do texto televisivo e, pior, com a normalidade com que criticam quem escreve bem ou de forma lírica na TV. [Na música, acontece o mesmo com Djavan, um grande poeta que virou piada pelo suposto hermetismo de suas letras.] Bial, como Djavan, não é indecifrável nem hermético – é apenas letrado.

E esta não é uma defesa, até porque os poetas (e as estrelas da Globo) não carecem disto. Eu quero é reproduzir um pequeno trecho da página 31 de “Crônicas de Repórter”, de 19 anos atrás, em que Bial comenta sobre a regulação da mídia no Reino Unido. Para os mais jovens, em especial militantes partidários e ativistas de esquerda, Pedro Bial pode encarnar “O MAL”. Afinal, além de participar do Instituto Millenium [equivalente em 2015 ao que foram o Ibad e o Ipes, em 1964], ele também cometeu a biografia laudatória daquele crápula chamado Roberto Marinho.

Para mim, na década de 90, Bial além de ser um bom repórter de TV, tinha o “qualificativo” de ser filho de imigrantes alemães comunistas – que chegaram no Brasil fugindo do Partido Nazista. Só que uma coisa era ler o trecho abaixo escrito sobre o Reino Unido em meados dos anos 90 e, outra, é lê-lo agora. Parece coisa de ativista pela democratização da mídia no Brasil. Lá vai:

Ah! E como as concessões das emissoras privadas são renováveis a cada seis anos, a ITV, a Televisão Independente daqui, também levou uma bronca pública.

Desta vez, foi por causa de uma entrevista conduzida por seu mais ilustre âncora, o negro Trevor Mac’Donald, com o primeiro-ministro John Major. A autoridade independente de televisão, que fiscaliza as programações, acusou Mac’Donald de ter sido frouxo e subserviente a Major e afirmou que a ITV ofereceu horário político gratuito ao Partido Conservador.

Já imaginaram isso no Brasil? Um órgão de fiscalização mantido pelo Estado, advertindo uma emissora de tevê por causa da conduta pouco firme de seu repórter diante da máxima autoridade do país?

This is democracy…”

Que ironia, não é mesmo? Hoje não apenas “imaginamos” como lutamos por uma “autoridade independente de televisão” que “advirta” quem faz proselitismo político-ideológico em concessão pública de rádio e de TV. Já o Bial… bem, além do BBB, é do Instituto Millenium – que prega exatamente o contrário. Na moral.

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