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Transgredir é …

Transgredir é transcender, nossa história não teria mártires no campo político, científico, religioso, cultural e artístico caso fosse possível transcender sem colocar em risco a sobrevivência da espécie. Mesmo a sede de poder, por nós apontada como grande vilã e impedimento para um mundo idealizado, não é tão aterradora para a tradição como a traição pela transcendência. Se por sede de poder alguém rompe com o senso comum da melhor ordem para a preservação e reprodução de nossa espécie, é fora-da-lei. O traidor, por sua vez, é um transgressor. Ele propõe outra lei e outra realidade. Se alguém rompe com uma estrutura tradicional de família, se pode ser caracterizado como um perverso, este tem seu lugar garantido na sociedade. Ele é o que não se deve fazer. Ele tem uma função importante e terá suas regalias asseguradas enquanto assumir a condição de errado. Tal condição é particular e toda sociedade tem espaço para um certo número de casos. No entanto, se o rompimento com a estrutura familiar é acompanhado de um desejo de legitimação dessa conduta, esse indivíduo é inaceitável e um bom candidato ao martírio.

Trecho de “A Alma Imoral” de Nilton Bonder.

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